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"English please!"

O Estado de S. Paulo, 12 abril 2010 - A16 - Vida - trás um artigo intitulado: "Português é a língua que se fala na aula de inglês."

Estudo de caso da Unesp aponta limitações do ensino do idioma na escola pública. O artigo discorre sobre a precariedade do ensino do idioma nas escolas públicas, mas não apenas nelas, onde os professores não estão preparados para o ensino, as turmas são muito grandes, e uma metodologia que não promove nenhum aprendizado. O ensino é focado na gramática e não na oralidade, ou uso do idioma e o material didático é inadequado. Conclui: “Uma das principais barreiras para o aprendizado é exatamente a crença de que não se vai aprender.” Não se pode comparar ou esperar que o ensino de idiomas na escola seja como nas escolas livres, mas poderia haver maior discussão sobre as diferenças culturais e trabalhar mais a escrita. O MEC não aplica nenhuma avaliação sobre a qualidade do ensino de língua estrangeira oferecido no país mas este ano o Enem vai incluir o inglês pela primeira vez. Na escola livre, entretanto, apesar da insistência do professor para que o aluno comunique-se apenas em inglês, há uma resistência muito forte, principalmente dos adolescentes em usar o idioma. A frase mais repetida durante uma aula pelo professor é: “English please!”, e também a maior fonte de desgaste para ele. Numa aula recente, abri o verbo, em bom português, a língua da afetividade: “Pessoal. Para muito de vocês, a sala de aula é o único ambiente onde vocês podem usar a língua. É o momento de experimentarem e corrigirem o que não está certo. É uma pena ver alunos chegarem a níveis avançados com vocabulário reduzido e problemas básicos de estrutura da língua.” Uma aluna resiste: “Mas teeaacher! A gente só fala português no colégio. É estranho ficar falando em inglês com o pessoal que a gente conhece e só fala em português.” Estou falando de uma turma onde mais da metade estudam no mesmo colégio particular, usam o mesmo uniforme e se veem todos os dias. Eles podem ter as razões e os motivos deles, mas não quer dizer que estão certos. Em um curso feito no exterior, os alunos saem do curso e continuam em contato com a língua fora da sala de aula. Aqui no Brasil, muito poucos têm essa oportunidade. Então fica a dica. Entrou na sala de aula, apertem a tecla SAP e façam um favor para vocês mesmos: Falem apenas em inglês! Mostre interesse e envolva-se na aula. Deixe o papo para o colégio. Se o falar português for mais forte que você mesmo, saia de perto dos amiguinhos do colégio e sente-se perto de outra pessoa com quem não tenha tanta intimidade. Ás vezes esta é a única tática que funciona, e é a única intervenção que acaba sendo feita pelo próprio professor. English Please!

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